quinta-feira, 4 de junho de 2009

Conta indigesta


Alguns telefonemas, uma corrida até o banco, uma pausa rápida para comer, um café e uma conta, miserável, que ficou incompleta: 504 calorias (%VD) do BigMac com molho especial mais 288 calorias das batatinhas fritas. Ou seja, 792 calorias a mais em poucos minutos. Isto, claro, descontando o "peso" de um copo com meio litro de refrigerante, que não indicava os valores nutricionais. Como pode?

Foto: Marlon Maciel

Jornalista sofre ameaça de morte em SP; participação de policiais não é descartada

Por Marlon Maciel

Apesar das três ameaças de morte recebidas por telefone a partir da última terça (2), o editor de Polícia, Laércio Ribeiro, 54 anos, cumpre expediente normal hoje na redação de O Diário, em Mogi das Cruzes (SP), a 63 quilômetros da capital. “Não estou em pânico”. As ligações ocorreram entre as 18h30, de terça, e 15h30 de ontem. “Só dizia que ia me matar”, disse hoje de manhã por telefone.

O jornalista não descarta a participação de policiais no episódio. Há 30 anos, Ribeiro acompanha a rotina nas delegacias da cidade. Casado com uma delegada da divisão de entorpecentes da Polícia Civil, ele já assinou várias matérias sobre as máfias da CNH e do caça-níquel e também sobre o envolvimento de policiais civis em casos de extorsão a criminosos. “É difícil saber de onde vem o tiro”, afirmou. Recentemente, ele questionou em um artigo “por que só a PM fecha bingo?”, em referência a três cassinos lacrados em menos de 30 dias na cidade.

Ontem, ao sair deixar a sede do jornal, na região central, Ribeiro afirma ter sido perseguido no caminho de volta para casa. Segundo ele, era um veículo Gol azul, de vidros escuros: “Percebi pelo retrovisor, mudei o trajeto algumas vezes e o carro continuou atrás de mim. Eu acelerava e ele também. Não ia parar para perguntar, né?”.

Ele promete levar o caso amanhã ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), em Guarulhos, e ao Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. Um boletim de ocorrência já foi registrado. “Alguma coisa precisa ser feita”. O caso foi divulgado hoje por O Diário.

O jornalista responde atualmente a processo por danos morais -um pedido de indenização no valor de R$ 50 mil- movido pelo ex-delegado seccional de Mogi, Carlos José Ramos da Silva, o Casé. Preso em julho de 2008, na Operação Carta Branca, o policial é acusado de integrar o esquema de falsificação de Carteiras Nacionais de Habilitação, em Ferraz de Vasconcelos, região metropolitana de São Paulo.

Em tempo: A Revista IMPRENSA publicou em janeiro de 2008 relatos de profissionais que atuam onde o jornalismo representa uma ameaça. Veja aqui trechos da matéria assinada por mim e pela competente Angélica Pinheiro.

20 anos do “rebelde desconhecido”


No dia 4 de junho de 1989 um jovem enfrentava os tanques que seguiam para a Praça da Paz Celestial com a ordem de acabar com os protestos de estudantes contra o regime comunista chinês. A imagem tornou-se um símbolo da coragem, eternizada pelo fotógrafo Jeff Widner, da Associated Press.

Até hoje ninguém soube a identidade do rapaz, que foi batizado como “rebelde desconhecido” e se tornou uma das pessoas mais influentes do século 20, segundo a revista Time. O número de mortos e feridos no confronto ainda é impreciso.

Passados 20 anos, o governo chinês voltou a impedir a divulgação de notícias que lembrem o massacre. Agora, com o bloqueio do acesso à internet e a interrupção do sinal de emissoras de rádio de tevê. Na época, os correspondentes estrangeiros foram expulsos do País e a cobertura na imprensa chinesa ficou sob o controle do Partido Comunista.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Três momentos de uma notícia em primeira mão

A busca por destroços do voo AF 447 da Air France gerou uma enxurrada de informações e abasteceu todos os telejornais da Globo, desde as primeiras horas desta terça-feira.

Momento 1: O Bom Dia Brasil entra ao vivo com as repórteres Giovana Teles, de Brasília, e Bianka Carvalho, de Recife. Giovana aparece primeiro no vídeo trazendo informações da Aeronáutica. Tudo muito protocolar e nada revelador. Chega a vez de Bianca. A repórter informa ter notícias de que um radioamador, com quem disse ter conversado momentos antes, afirmara que os pilotos da FAB teriam avistado poltronas e marcas de querosene no mar. Era o fato novo. Só que a Aeronáutica não confirmava. Dúvida e apreensão entre os jornalistas. E o BDB não deu o devido destaque à informação. De novo no ar, Giovana Teles chega a “repreender” o anuncio da colega, sugerindo que não seria possível alguém dizer algo antes da própria Aeronáutica. E acabou nisso.

Momento 2: No Jornal Hoje, a mesma Giovana volta para relembrar o caso e não menciona a versão do radioamador trazida por Bianka Carvalho no BDB.

Momento 3: Na abertura do primeiro bloco do JN, as principais notícias do dia sobre o voo AF 447. A apresentadora Fátima Bernardes anuncia a confirmação de que os objetos avistados são realmente do avião desaparecido e dá o crédito à desconhecida repórter de Recife. Mais do que justo.

Reprodução: Marlon Maciel

Flagrantes no caminho de casa

No relógio, 18 horas. Do lado de fora do carro um familiar barulho de buzinas e sirenes – e um frio congelante. Confusão e, de repente, trânsito parado nas duas faixas. Ninguém sai do lugar. A menos de dez metros dali um motociclista no chão, vítima do tráfego saturado, sob o olhar dos mais curiosos. Mais um. Mais pedestres, mais carros, mais motos e menos espaço. Cada vez mais.

Por sorte, nada muito grave. O resgate foi bastante rápido. O acidente ocorreu na rua Cabo Diogo Oliver, entrada principal de Mogi das Cruzes (SP). A vítima foi socorrida e levada para o pronto-socorro. Nada que altere a rotina entre a casa e o trabalho. Amanhã tem mais...

Foto: Carolina do Prado

Relatório das buscas do voo 447 da Air France


NOTA À IMPRENSA 02/06/09 (09H20)

O Comando da Aeronáutica informa que as aeronaves que se encontram na missão de busca do voo AF 447 localizaram vestígios e pequenos destroços de aeronave no oceano, entretanto ainda não é possível afirmar que pertençam à aeronave desaparecida.

Na madrugada desta terça-feira (02/06), a aeronave R-99 6751 que decolou de Fernando de Noronha-PE às 22h35 (horário de Brasília), para realização de varreduras com utilização do radar de abertura sintética, identificou por volta de 01h00 (horário de Brasília) alguns “retornos” no radar que indicavam materiais metálicos e não metálicos flutuando no oceano. As posições desses “retornos” foram marcadas por coordenadas geográficas e motivaram o replanejamento da busca, concentrando-se, agora, a aproximadamente 650 quilômetros a nordeste de Fernando de Noronha-PE.

Aeronaves C-130 avistaram, por volta de 06h49 (horário de Brasília), materiais em dois pontos distantes cerca de 60 quilômetros. Dentre eles, uma poltrona de avião, pequenos pedaços brancos, uma boia laranja, um tambor, além de vestígios de óleo e querosene.
Por fim, o Comando da Aeronáutica informa que mantém 10 aeronaves disponíveis nas ações de busca e resgate da aeronave.

Na imagem, os locais (em vermelho) onde foram avistados os primeiros destroços.
Arte: CeComSAer

Voo AFR 447


Em nota (nº 4) divulgada às 00h29 desta terça (2), o Comando da Aeronáutica informa que:

“(...) o relato de uma aeronave da TAM sobre indícios de “pontos luminosos” sobre o mar na rota inversa do voo AFR 447 foi informado pelo Salvaero Recife aos órgãos de busca senegaleses, pois a área se referia ao espaço aéreo de DAKAR. Outrossim, o navio mercante DOUCE FRANCE realizou padrão de busca “quadrado crescente” na área reportada pelo avião da TAM, sem identificar qualquer vestígio do voo AFR 447”.

Arte: Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CeComSAer)